Dores de aprendizado e crescimento

Nem sempre acordamos fortes! Tem dias que estamos tristes, tem dias que choramos… por dentro e por fora. Não se culpe por isso, é normal e compreensível, e é necessário colocar nossos sentimentos para fora. O que não podemos é deixar essa tristeza se transformar em sofrimento eterno. Nesses dias, eu pensava na minha filha, no meu marido, enfim, na minha família, e principalmente em mim. Como é importante viver e aproveitar cada minuto, que são únicos e não voltam mais. Eu tentava associar momentos bons que me dessem prazer aos momentos não tão bons.

Por exemplo: depois das sessões de quimio, eu ía tomar um leite com café (isso mesmo, era mais leite do que café, pois precisava diminuir a cafeína). Vivia esse momento com o meu marido, ou minha amiga, ou minha irmã… Enfim, com quem estivesse me acompanhando naquele dia da quimio.

Passava esses momentos com eles na lanchonete do hospital, que por sinal, tem uns bolos maravilhosos, ou então, ía até a casa da minha irmã e também tomava aquele café gostoso. Afinal, ficaria alguns dias sem querer ver comida. Hoje, quando lembro das sessões de quimio, lembro do café e sinto falta. Às vezes, vou tomar, agora sim, um café com bolo na lanchonete do hospital e com gosto de vitória.

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Lembrei de um fato que aconteceu numa sessão de quimio, e me foi uma grande lição de vida. Tinha uma criança que estava chorando muito, era um choro de dor e sofrimento, que entristecia e doía em mim e na minha irmã, mesmo sabendo que ela estava bem assistida pela equipe. Nós não podíamos fazer nada, a não ser orar para que o sofrimento daquela criança e de seus pais fossem amenizados e tivessem força e conforto. Naquele momento, olhei para minha irmã e disse: quer saber, eu estou ótima. Ela me olhou e respondeu: se você fazendo quimio está ótima, eu estou excelente...

Então, às vezes, o nosso sofrimento é tão pequeno, se olharmos para o lado. E por falar em sofrimento, vou citar o que o padre Fábio de Melo escreveu:

  • “Nossos maiores valores costumam florescer a partir de nossos maiores sofrimentos, os mais agudos. Por isso se transformam em valores.”
  • “Não há nada nessa vida, por mais trágico que possa nos parecer, que não esteja prenhe de motivos e ensinamentos que nos tornarão melhores.”
  • “Se hoje a vida lhe apresenta motivos para sofrer, ouse olhá-los de uma forma diferente. Não aceite todo este contexto de vida como causa já determinada para o seu fracasso. Não, não precisa ser assim.”
  • “Sofrimentos não precisam ser estados definitivos. Eles podem ser apenas pontes, locais de travessia. Daqui a pouco você já estará do outro lado; modificado, amadurecido.”